21.10.08

volto finalmente a exercitar o sonho
acordo de manhã
com fiapos de sonho em torno do corpo dolorido
tento o primeiro passo
lembrar do pentimento ou de qualquer migalha
depois
tentar escrever
e finalmente encerrar o ciclo diário de pequenas lembranças

Bom-bocado

12 gemas
1 pires bem cheio de queijo ralado
1 pires bem cheio de coco ralado
1 colher de sopa de manteiga
450 gramas de açúcar

Fazer com o açúcar uma calda em ponto de fio.
Misturar o coco e o queijo ralado, as gemas e a manteiga.
Adicionar à calda.
Colocar numa forma untada.
Assar em banho-maria no forno.

Moqueca de Folha

1 robalo, badejo ou cherne de mais ou menos 4 quilos
6 tomates maduros e grandes
2 pimentões grandes
6 dentes grandes de alho
3 cebolas grandes
sumo de 6 limões
1/2 litro de azeite-de-dendê
cebolinha, coentro
pimenta-de-cheiro
farinha de mesa fina
folhas de bananeira
Limpar e retirar, abrindo por cima, a espinha dorsal do peixe, ficando inteiro pela barriga. Passar todos os temperos no liqüidificador com o sumo dos limões e envolver o peixe com eles, deixando por mais ou menos 2 horas. Escorrer o peixe e reservar. Misturar o tempero ao azeite-de-dendê e a farinha de mesa, formando uma farofa nem molhada demais nem seca. Pôr as folhas de bananeira no forno para murchar. Arrumar num tabuleiro o barbante para amarrar, em seguida as folhas de bananeira, uma camada de farofa, o peixe recheado com a farofa e mais farofa em volta. Cobrir com o resto das folhas e amarrar com o barbante. Levar ao forno médio para assar. Estará pronto quando se enfiar uma faca no peixe e ele estiver macio e cozido. Para servir, retirar somente as folhas de cima.

galinha de parida

1 galinha nova e gorda
2 dentes de alho
1 cebola
2 colheres de chá de cominho
1/2 pimentão
cebolinha e coentro
sal e pimenta do reino
vinagre


Cortar a galinha pelas juntas, deixar no tempero (pelo menos 2 horas). Pôr na panela com o óleo e um pouco de água (não é pra refogar) deixar cozinhar até amolecer. Servir acompanhado de pirão escaldado:
Derramar sobre a farinha de mesa grossa, misturada com a cebola cortada em rodela, o coentro e a cebolinha, água fervendo (ou o caldo da galinha).

Na casa da minha mãe, no Piauí,Brasil, se comia dessa galinha, que às vezes (se eu me lembro direito) era feita com capão. Depois na casa dos meus pais, já no Rio de Janeiro, era de praxe nos jantares se servir essa galinha.

bordados

costuro a vida
com pedaços de barbantes
ou fitas coloridas
costuro com linha 10
ou com fios dos cabelos

os pedaços de alegria
juntos aos das tristezas
os espaços de agonia
os de medo e de incerteza

alguns na pressa,
costurados com cuspe
outros bordados
com linhas de seda

se rasgam
são cerzidos

vida costurada
o tecido um pouco esgarçado
arde na pele de manhã

10.9.07

Capítulos do livro de auto-ajuda.

Primeiro . Gostar de você.
Segundo. Fazer o que se gosta e até o que não se gosta com prazer.
Terceiro. Encontrar sempre um tempo para ficar sozinho.
Quarto. Gostar com o máximo possível de intensidade
Quinto. Não gostar com o mínimo de intensidade.
Sexto. Andar de cabeça erguida e peito aberto.
Sétimo. Ler e ouvir música sem nenhum compromisso.
Oitavo. Escolher poucas coisas para se levar pela vida (ligero de equipaje)
Nono. Ouvir o outro (a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro)
Décimo. Não ter medo da morte, mas sentir até o osso todas as perdas.

22.2.07

agradeço o privilégio
de ter convivido com voce meu filho
com voce meu pai
e ter conhecido assim
a alegria e a generosidade

agradeço o privilégio
de poder ver a quase silhueta
da cidade e do porto
entre tons de vermelho, preto, azul, cinza
e marinheiros perfilados ao navio

agradeço a felicidade
de ver as transparencias
de ouvir os encantos

agradeço o encanto
de meus filhos, de minha mãe
e de amar, assim, sempre

mater dolorosa
mater amantissima
minha mãe querida
sempre o sorriso, sempre suave
sempre presnte
pietá talhada no mármore branco
minha mãe carrega no colo sua filha
pietá pintada, cores tão escuras
minha mãe tem no colo seu filho amado
mater dolorosa, mater amantissima
sempre um sorriso,
no abraço sempre aberto
ou no canto dos olhos
e ao seu redor nos sentamos nós

o olhar pode se encantar
com o perceber as cores
o olhar deve se encantar
a cada momento

e então ser saboreado
lentamente
como fruto colhido do pé

quero as cidades azuis e as cor de brique,
(outro dia ouvi dizerem que a França é cinza)
quero lugares de todas as cores
algaravia das ruas e dos cheiros
mas enquanto não vêm
vou sonhando, sonhando
e criando minhas terras longínquas

volto finalmente a exercitar o sonho
acordo de manhã
com fiapos de sonho em torno do corpo dolorido
tento o primeiro passo
lembrar do pentimento ou de qualquer migalha
depois
tentar escrever
e finalmente encerrar o ciclo diário de pequenas lembranças

2007 quase 2010
passamos a taprobana dos anos
e continuamos a chorar
o abandono, a traição
o amor partido
continuamos meninas
brincando de roda, de boneca de papel
de jogar bola
e a chorar pelo menino
que nem viu
que alguém olhava pra ele

a perda me ensinou uma geografia
onde coloco no espaço e no tempo
aqueles que perdi e os que estavam a meu lado
no momento da perda

na porta que se abre
na sala na penumbra
aparece o seu corpo torneado a cinzel
nem o homem nem o corpo
têm voz
apenas a forma
que invade o espaço
e faz a permanencia do silencio

8.12.06

Livros pro Natal

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7.12.06

Quer um presente de Natal?

Livrinhos sob encomenda para presente de Natal



28.11.06

Minha mãe




A cada momento estamos mais próximas.

Preciso, minha mãe, continuar teimando e acreditando na vida.

Precisamos, continuar
porque nossos meninos precisam
porque a vida, minha mãe ainda assim,
apesar de tudo,
a vida é bonita.

Os sobreviventes

Alguns entre nós são sobreviventes.

Sobrevivo,
continuo a percorrer
o mesmo caminho.

Quero ainda me embebedar de alegria,
me aquecer de ternura,
falar manso,
ouvir muito,
entender,

minto, apenas
perceber o mundo

e talvez passar a meus filhos
alguma felicidade.


Mas sou apenas uma sobrevivente.

Vida

Idéias mis pululando
pulgas sem fim nem começo
quero-as vivas
assim como quero de forma alucinada
meu filho vivo
quero meu filho no meu colo
quero de volta
seu sorriso colgate
e sei que não é possível
mas quem sabe as idéias
reais e concretas
possam a vida retornar.

saudades

Mais uma vez chega o tempo do Natal. Mais uma vez vem uma vontade enorme de não sei. Vem uma tristeza, mistura de lembranças tão boas.Saudades Felipe, muitas saudades e saudades imensas da minha mãe e de seu sorriso que me confortava...

Felipe


Hoje tenho tanto do que me faz feliz, que tenho medo. O que me dá a consciencia de que essa felicidade não é plena é a dor de tua ausencia e preciso pensar para acreditar que ela é verdade, e fico assim sem compreender porque voce não pode estar aqui para compartilhar o hotel, o carro novo, a casa da vovó, o lucas tocando violão, a tuninha, o tiago, a tetá, a cati, o marcinho,... 2002

30.10.06

a minha vida é feita
da cópia das dores dos outros
a minha dor, essa,
é só minha imagem
que se desfaz e me amedronta

outubro 2006